Templo do Som

Bem Vindos ao Mundo da Música

Archive for the ‘Resenhas’ Category

Resenhas de Artistas e Bandas

The Strokes – Is This It [2001]

Posted by Paulo Grossi em setembro 11, 2006

strokes-is-this-it-original.jpg

Lançado em Janeiro de 2001 o album Is This It foi considerado um sucesso de crítica e de vendas que bateram a casa de milhares de cópias vendidas em poucas semanas, o que fez com que a turnê do disco fosse acompanhada de casa lotada em todas as apresentações.

O álbum de estréia do Strokes é basicamente um álbum empolgante do começo ao fim, pois ele cria um clima de rebeldia rock and roll com uma levada mais suave o que parece ser o casamento perfeito da música nessa década.

A idéia não é original, é verdade, ela começou na década de 60 com os Beatles e ganhou força com grupos como Led Zeppelin e The Who, mas isso não quer dizer que a fórmula não serve mais e nem que ela não pode ser mais usada. Pode sim! Mas com sabedoria e por um grupo que consegue unir a técnica musical de baixo, guitarra e bateria com a habilidade do seu vocalista John Casablancas.

O disco começa com a faixa título Is this It, uma música “largada” que mostra que o Strokes veio a tona não pra atender nenhuma exigência da mídia musica que fica a todo momento rotulando as novas bandas de a última esperança do rock entre outras bobagens. Como canta Casablancas “I’m trying … and I don’t even like it”.

strokes-011.jpg

A segunda faixa é o single lançado antes do lançamento do disco chamado de Modern Age. Esse single causou um tumulto muito grande quando foi lançado em 2001 e acarretou em uma guerra de interesses entre gravadoras “pela maior banda de Rock and Roll em anos”. Posteriormente, os Strokes foram bastante divulgados, causando uma divisão entre os seguidores do Rock e revistas independentes: procurava-se saber se eles eram realmente os salvadores do Rock ou um punhado de jovens ricos com nomes legais e cópia do Velvet Underground. As duas bandas eram bastante parecidas tanto pelo estilo vocal de Casablancas, similar a de Lou Reed quanto pela alternância entre Hammond e Nick Valensi como guitarrista principal o que lembra Lou Reed e Sterling Morrison.

Em Hard to Explain, a banda combina seu garage rock com melodias grudentas, em uma canção que pode ser considerada uma das melhores músicas do disco. Is this it mostra toda a alegria que os Strokes têm como jovens, cheios de autoconfiança ao som de uma linha de baixo saltitante; Last Nite, Soma, Someday, e Take it or Leave It são os Strokes em seus momentos mais vigorosos. A banda é capaz de fazer a velha combinação guitarra-baixo-bateria parecer uma novidade para o ouvido dos roqueiros mais aficcionados.

strokes-016.jpg

Uma curiosidade sobre o disco Is this It é que a capa original do disco foi censurada nos Estados Unidos, mas que no Brasil continuou sendo a mesma. E a canção New York City Cops que acabou retirada do CD, na última hora, por conta dos ataques terroristas a NY, pois naquela época a mídia americana queria evitar ao máximo uma exposição dos “heróis” do 11 de setembro. Porém para a felicidade dos ouvintes não americanos a música foi incluída no CD distribuído para os outros países inclusive a versão brasileira.

Espero que gostem e não se esqueçam

O seu comentário é o meu salário!

Abraços e até a próxima!

Paulo Grossi [PG]

strokes-logo.jpg
DOWNLOAD

Posted in Albuns, Resenhas | 7 Comments »

Audioslave – Self-Titled [2002]

Posted by Paulo Grossi em agosto 22, 2006

audioslave-frontal.jpg

Há muito aguardado desde a fusão dos remanescentes do Rage a Chris Cornell, o album
Audioslave chegou as lojas em 2002, já fazendo alarde. A grande questão que se fazia na época do lançamento era: Que som sairá dessa fusão de estilos?

Muitos achavam que a banda era apenas uma jogada de marketing organizada pelos antigos integrantes do Rage juntamente com os empresários de Chris Cornell, e que essa fusão tendia certamente ao fracasso. Não dava mesmo para adivinhar se a banda teria um futuro próspero ou se seus integrantes irião se separar ali adiante. O futuro ainda era incerto. Mas o que era dúvida rapidamente se transformou em certeza. O som dos caras veio pra ficar, e não só isso, o nome Audioslave será lembrado sempre como uma das melhores bandas já reveladas nesse início de século.

O disco inicia extremamente impactante já na primeira música “Cochise”, que se revela o verdadeiro cartão de visitas do Audioslave. Nessa canção estão presentes todos os elementos que marcaram a banda: os riffs de guitarra magistrais – marca registrada de Tom Morello, juntamente a uma decarga emocional impressionante no vocal sempre poderoso de Chris Cornell. Além disso Cornell é um exímio letrista como deixa bem claro a passagem: “I’m not a martyr / I’m not a prophet / And I won’t preach to you”, um tapa na cara de todos aqueles que suspeitavam que o Audislave seria apenas mais uma banda sem nada a dizer.

“Cochise” é a música forte, a marca registrada da banda no primeiro disco. Por isso a
decepção dos integrantes quando estes souberam que essa e outras músicas vazaram
na internet, pois tinha-se o medo de que no lançamento oficial do disco ela não teria o mesmo impacto. Coisa que felizmente acabou não ocorrendo.

audioslave-002.jpg

O disco continua com as explosivas “Show Me How To Live” e “Gasoline”. A certinha “Show Me How To Live” é a mais balada das duas, com um riff marcante e muito bem executado por Morello. No finalzinho, uma surpresa: Chris Cornell termina a música berrando em alto estilo e estica ao máximo o grito até surgirem efeitos eletrônicos psicodélicos em sua voz, imitando uma cítara indiana!

Já em “Gasoline” é Tom Morello, reconhecível à quilômetros é que dá o tom (sem trocadilhos) da música. No refrão, há uma grande variação do riff aparentemente simples que gera um efeito final espetacular. A música é amparada pelo sempre potente vocal de Chris Cornell. A letra da música assim como a melodia trata da angústia e da vontade de se apagar algumas coisas da memória, por isso, nada melhor do que queima-las com Gasolina!

“What You Are” é uma canção mais carregada que a abusa da força da guitarra de Morello que é de fazer tremer os vidros das janelas, possui ainda um refrão que nã sai da cabeça facilmente.

“Like A Stone” é de longe a música mais famoso do disco. A música retrata de forma clara a simbiose existente entre os elementos da banda. Na parte do solo há uma perfeita sincronia entre o riff e o violão mostrando que uma banda de Rock pode se arrisca a fazer uma música mais pop sem comprome ter o andamento do restante do disco. Afinal de contas como dizia Keith Richards: “Você só pode ter uma boa banda de Rock se tiver conseguido fazer uma boa balada”.

Já “Set If Off” é o vai tomar no ** de Chris Cornell, clichê? Pode ser. Mas o que se destaca nessa faixa são os riffs de Tom Morello. A música fica mais palatável no seu segundo movimento quando ela retoma uma musicalidade mais rítmica e menos bombástica.

audioslave-006.jpg

“Shadow of the Sun” começa devagar e depois revela um refrão de arrepiar qualquer fã do
Soundgarden. É o momento que o Audioslave mais se aproxima da antiga banda de Cornell, valendo ressaltar as guitarras pesadas e o refrão bem característico. A música é muito bem estruturada e viajante, não é a toa que ela foi escolhida para embalar as aventuras de Tom Cruise e seu personagem malvado e sanguinário no filme Colateral. A Sombra do Sol como é traduzida a música mostra de forma excepcional a capacidade de Tom Morello para executar riffs psicodelicamente perfeitos, bem como de um baterista que só falta “cobrir a bateria de porrada” para que ela possa extrair mais som. O final da música termina com o mesmo vocal gritado de Cornell mostrando sua influência na construção do som da banda.

“I Am The Highway” já dá o tom da parte menos criativa do disco, sendo salva por um arranjo bem sacado da banda. Ainda assim, “I Am The Highway” se apresenta sem uma maior ousadia nos arranjos,é como aquela flor de plástico, de longe parece de verdade.

Na faixa seguinte, o Audioslave acorda e retoma o peso com “Exploder”, uma das músicas mais porrada do disco.  a música nos faz lembrar do rock contem porâneo com o vocal de Cornell nos fazendo lembrar de bandas como Korn por exemplo.

“Hypnotise” é o ponto de interseção da banda pois ela é bem diferente de tudo o que Rage Against The Machine ou Soundgarden já fizeram. Ela lembra, no bom sentido, do disco Pop Mars do U2 pois se baseia numa levada mais dançante que nos remete a sonoridade de bandas como Depeach Mode. Chris Cornell está mais contido, num tom mais grave, com harmonia no refrão, mostrando que o Audioslave consegue lidar e bem com os mais variados estilos músicais, porém sempre se prendendo ao bom e velho Rock and Roll.

audioslave_pic1.jpg

“Bring ‘Em Back Alive” é outro peso pesado do disco, um heavy metal, com vocal distorcido e refrão marcante, que leva consigo um efeito perturbador de psicodelia graças a sempre mágica guitarra de Tom Morello e bateria disconcertante de Brad Wilk.

Já a faixa “Light My Way” é a que mais se aproxima do antigo Rage Against The Machine, pois é o momento em que o Audioslave mais relembra a sonoridade caótica da banda, com a diferença de termos Chris Cornell no vocal. Uma curiosidade é que no meio da música temos um efeito eletrônico que nada mais é do que a música padrão para alguns celulares da empresa Motorola.

“Getaway Car” é mais uma baladinha ao estilo de “Like A Stone”, pois segue a mesma trilha. Arranjo elegante da banda e vocal melodioso de Cornell, em mais um competente desempenho nos vocais. A música fala de atitude e independência, como bem explica seu refrão que seria algo como “tenha seu próprio carro e o diriga sozinha”.

“The Last Remaining Light” encerra o disco de forma serena e tranquila pois é como o
Audioslave deveria ter se sentido ao ver o trabalho concluído. Com bastante tranquilidade
também é como se projeta o Audioslave no cenário do rock atual pois como se pôde perceber durante todo o disco é que o Audioslave veio não para ser só mais uma banda,de Rock mas sim para mostrar a todos os céticos de plantão que eles vieram pra ficar.

Resenha:
Paulo Grossi [PG]

DOWNLOAD

Posted in Albuns, Resenhas | Leave a Comment »

The Coral – Self-titled [2002]

Posted by Paulo Grossi em agosto 17, 2006

The Coral – The Coral [Deltasonic]

the-coral-front.jpeg

O álbum de estréia do The Coral é despretensioso e alegre. Mas simplesmente esses seis amigos de perturbadores 19 anos, souberam como fazê-lo parecer um grande álbum.
A variedade sonora do álbum é clara desde o início. Assim como Robert Johnson obteve seu poderoso blues do Diabo. Desse modo como Johnson, os garotos obcecados por corais, devem ter extraído seu fabuloso som de Proteus – o Deus grego dos mares, que podia mudar as formas de acordo com sua vontade.

O álbum é composto por uma junção de sonoridades que incorporam grandes doses de batidas psicodélicas, alguma coisa pop, uma pitada de dub, uma faixa de disco “groove” e até mesmo um pouco de tudo aquilo que se encontra na famosa cidade de Liverpool (próxima a cidade deles), como Beatles e seu iê-iê-iê, por exemplo. Eles fazem referência até mesmo às estranhas sonoridades marítimas em “Calendars and Clocks” – seguramente nunca escutada fora dos quarteirões da vila de pescadores de Mersey.

“Simon Diamond” e “Goodbye” têm uma ressonância parecida com a do começo do Pink Floyd. “Badman” soa como uma levada mais nervosa. “Dreaming of You” deve certamente ter sido colocada numa cápsula do tempo e enterrada em Mersey durante a época da explosão do big beat. O som e a atitude gerais podem ser comparados a um cruzamento entre Shack e Super Furry Animals.

As canções são curtas e de rachar. As melodias são rápidas e de fácil assimilação por isso não se preocupe se alguma delas te deixar cantarolando por uma semana. Apesar de pular entre estilos e texturas dentro e entre as faixas, devido a sua musicalidade e realização e um sentido acima do normal de alegria, eles conseguem de algum modo uma coerência sonora total incrível.

A alta qualidade de suas composições é um fator adicional de unificação. Verso-refrão-verso são amarrados e executados de uma maneira perfeita. A narrativa em terceira pessoa representada por “Simon Diamond” é um fator aparte, as guitarras sujas e um refrão gritado ao estilo rock fazem balançar o esqueleto em “Badman” enquanto isso uma viagem psicodélica o transporta para “Skeleton Key”.

Sim eles são bons, realmente bons, mas eles serão grandes um dia? Bem, a auto-confiança fica evidente na afirmação “I ain’t going down like that” em “I Remember When” que sugere que eles tem jeito pra coisa. No entanto, o sucesso em massa pode aprisioná-los em um gênero específico de bandas que tiveram sua capacidade minada pelo sucesso. Parece fácil de se perceber que o The Coral é incapaz de se auto confinar nessa prisão. Assim seu único defeito é que eles irão fazer você adorá-los.

Resenha:
Daniel Pike
Tradução: Paulo Grossi [PG]

DOWNLOAD

Posted in Albuns, Resenhas | Leave a Comment »

Explosions In The Sky – How Strange, Innocence [2000]

Posted by Paulo Grossi em agosto 10, 2006

how-strange-innocence-small.jpg

Se tem uma pergunta, cada vez mais comum por sinal, que ainda não consegui encontrar resposta é “o que é pós-rock afinal?

A urgência pela definição de convenções para esse novo gênero pode muito bem se justificar em virtude do crescente surgimento de novas bandas que optaram pelo estilo, aceitando a idéia de abrir mão dos vocais e concentrar o foco em frases de guitarras e criação de climas, atitude que invariavelmente carrega consigo a capacidade de convencer o público de que quatro ou cinco caras conseguem subir num palco e entreter um número de diferentes pessoas com diferentes aspirações musicais através de músicas desvinculadas do imediatismo, que exigem uma cumplicidade com o expectador.

Aí então fica a dúvida de como diabos existem bandas assim e como podem continuar surgindo novidades em uma vertente com tão poucos recursos para se inovar. Seria a demonstração cabal de que as pessoas cada vez mais procuram refúgios que lhes transmitam emoções verdadeiras? Ou seria um caminho para bandas com péssimos vocalistas?

A primeira apresentação do Explosions In The Skyexplosions-midlle4.jpg  aconteceu em agosto de 1999, mas pode-se dizer que o primeiro show de verdade aconteceu no festival Emo’s, em Austin, em janeiro de 2000. Um dos espectadores da apresentação da banda neste festival era a diretora de filmes independentes Kat Candler, que se encantou com a banda e pediu a eles que gravassem a trilha de seu novo filme, “Cicadas”, que estava em produção.

Aexplosions-midlle3.jpg  banda topou e gravou então aquilo que seria seu primeiro álbum, “How Strange, Innocence”. Este disco não teve muita circulação (foram editadas somente 300 cópias, pelo selo Sad Loud America) e muitas vezes nem é reconhecido como o debut do Explosions in the Sky, mas hoje suas poucas cópias existentes são itens valiosos, e muitos fãs considerem este o melhor trabalho do Explosions. E é exatemente este disco caro leitor que está a disposição de vocês agora, um disco que sintetiza de forma extraordinária tudo o que há de melhor na música desse grupo, que são os acordes mágicos do guitarrista Munaf Rayan, juntamente com uma bateria executada a perfeição por Chris Hrasky. Não é a toa que esses dois foram os idealizadores do grupo.

Um dos destaques é a faixas “Snow & Lights”, que possui mais de oito minutos de duração, e uma composição impecável e que alterna de forma brilhante sonoridades tão dispares quanto um solo deprê de guitarra para uma explosão sensacional da bateria, estilo esse que percorre várias músicas do disco, diga-se de passagem.

Outro destaque fica por conta da quinta faixa “Glittering Blackness”, que abusa da sonoridade mais down da banda, mas que sabe também alternar esse clima mais pra baixo com uma idéia de felicidade que é facilmente percebida na medida em que a música tenta fugir desse clima, o que transforma essa faixa em minha opinião a melhor do disco.

Chega de história e vamos direto ao que interessa com vocês Explosions In The Sky em seu disco de estréia How Strange, Innocence!

por Paulo Grossi [PG]

DOWNLOAD

Posted in Albuns, Resenhas | Leave a Comment »

The Mars Volta – De-Loused in the Comatorium [2003]

Posted by Paulo Grossi em agosto 6, 2006

de-loused-in-the-comatorium-large.jpg

Em 2000 Cedric Bixler Zavala e Omar Rodrigues-Lopez, dois xicanos do Texas com uma forte inclinação psicodélica, decidiram abandonar no auge uma das bandas mais promissoras surgidas em décadas para fazer o que bem entendes sem. Essa banda era o At The Drive-In, que havia lançado no mesmo ano o álbum Relationship Of Command.

Por isso no fim de 2000 os dois decidem que já era hora de largar a antiga banda e começar um novo trabalho voltado para uma veia mais progressiva e mais experimental. Assim surge a nova banda The Mars Volta, que viria a gravar um E.P. intitulado de Tremulant. Esse é lançado em meados de 2002 que já mostrava ao público qual era a mensagem musical que o grupo queria passar.

Com isso Mars Volta estava preparado para entrar no estúdio e gravar seu primeiro álbum que só sairia em meados de 2003, nascia assim De-loused In The Comatorium, disco aclamado pela crítica que recebeu por parte das revistas de música com ótimas notas, já sendo chamada por alguns desses críticos com uma das bandas mais promissoras de sua geração.

As principais influências musicais são Led Zeppelin, Fugazi, Santana, Miles Davis nos anos 70, Radiohead, ambient dub e outras. Tem uma definição engraçada de Omar sobre o Mars Volta: ”Somos uma banda de rock que quer ser uma banda de salsa”. A capa do disco foi feita por Storm Thorgerson, que também desenhou Houses Of The Holy (Led Zeppelin) e Dark Side Of The Moon (Pink Floyd). John Frusciante, de Red Hot, tocou em ‘Cicatriz ESP’ e os baixos estão nas mãos de Flea também do Red Hot.

O primeiro single do disco foi Inertiatic ESP, que em sua capa trazia mais uma referência clara ao surrealismo. É um olho fechado com formigas por dentro. As formigas são temas fortes em obras de autores surrealistas, como no filme “Um Cão Andaluz” de Luiz Buñuel e Salvador Dali. O filme é um marco no surrealismo e foi feito a partir da idéia que Dali teve sobre uma mão cheia de formigas, e da idéia de Buñuel de uma nuvem cortando a lua. No filme um homem corta o olho de uma mulher com uma navalha, intercalando com a cena da nuvem cortando a lua. Devo dizer que a referência a este filme é direta. Formigas e olho.

Como se fosse indicativo de sua amplitude e intenção, o disco é denso, inóspito nas primeiras audições – mesmo contando com a produção do eclético Rick Rubin e com o chili pepper Flea. De um modo geral o disco percorre faixas que vão de um heavy metal pesado (intertiac) a músicas mais densas (televators), música essa que remete a construção das canções de rock dos anos 70, lembrando em muito a clássica Stairway to Heaven do Led Zeppelin, pela forma como a canção e música vão evoluindo até atingir um climax de grande densidade sonora que poucas bandas conseguem atingir.

O resultado dessa mescla variada de sons e sonoridades é um disco no mínimo impecável, que consegue não só aliar qualidades musicais, mas também estéticas, juntando-se a isso uma capacidade criativa fora de série.

Não pense duas vezes em baixar. Este álbum é sensacional! Gostaria muito que vocês comentassem sobre ele aqui no Templo do Som.

Abraço!

Paulo Grossi [PG]

DOWNLOAD

Posted in Albuns, Resenhas | 6 Comments »

Jet: Mais Uma da Austrália!

Posted by Paulo Grossi em julho 30, 2006

jet-get-born-front.jpg

“E um desperdício sempre olhar pra trás/ Você deveria sempre olhar para frente”
Jet ‘Move On’“Todo mundo fala de rock hoje em dia” disse Keith Richards em 1996. “O problema é que eles esqueceram do Roll.” Como esse guitarrista sexagenário de longa vida deve amar o Jet. Como o seu album de estréia ‘Get Born’ comprova esse quarteto de Melbourne (Nic Cester guitarra/vocais). Chris Cester (bateria/vocais), Cameron Muncey (guitarra/vocais), Mark Wilson (baixo) se mantêm firme na raiz primitiva e direta do rock. Como todas as boas bandas eles têm suas influências voltadas para a gênese do rock.“Eu acho que a gente sempre esteve interessado em traçar as raízes dessa música” explica Chris.”Nós queremos olhar além dos anos sessenta e setenta e encontrar o local de onde essa música se origina. E por isso que nós fazemos cover do Elvis em nossos shows. E uma busca natural para nós”.

jet_green-rgb1.jpg

Em catorze faixas, o disco passa longe do tradicional Rock australiano. Soando totalmente inglês, os integrantes da banda buscaram referências de artistas contemporâneos ingleses como Oasis” e, principalmente, dos artistas da velha guarda como “The Who”, “Beatles”, “Stones” e até “Pink Floyd”. “Entretanto isso é o que acontece se o primeiro álbum que você sempre ouviu era Abbey Road” como afirma Chris.

Após surpreenderem no Rock in Rio Lisboa, a banda ganhou forças nas rádios do Brasil e do mundo inteiro, com o single “Are you gonna bem my girl“. A música é bem agitada e gritada, uma espécie de misto Who/Stones, o que a torna extremamente excitante. Essa parece ser a fórmula principal usada na confecção do disco, outros momentos como esses seguem em músicas como “Cold Hard Bitch” e “Get Watch You Need“, Rocks bem agitados que aumentam a potência da rock “Take It or Leave It“, uma espécie de “acid-Stones”.

Outras duas grandes surpresas do álbum estão nas faixas “Last Chance“, que abre o disco em grande estilo, preparando o ouvinte para o restante do álbum. “Roll Over DJ“, a terceira faixa disco, bem que poderia estar em qualquer disco do Oásis, trata-se de uma espécie de hino daqueles que o público canta o refrão junto com a banda.

Mas se o primeiro single, e a apresentação da banda no Rock In Rio Lisboa já haviam sido um sucesso, ao chegar às lojas o segundo single com a balada “Look What You’ve Done“, o grupo passou ao topo das paradas no mundo inteiros. A música é uma balada bem ao estilo “And I Love Her” dos Beatles, um piano acompanhando a música e voz lenta do vocalista faz a música lembrar os Beatles na fase melancólica de 68. O próprio vídeo-clipe tem essa atmosfera psicodélica.

jet-are-you-gona-be-my-girl-single.jpg

As baladas “Move On” e “Come Around Again” lembram incrivelmente a banda Pink Floyd, principalmente as baladas a lá Gilmour. Já “Radio Song” tem toda a fórmula das baladas britânicas atuais, leia-se, solos de guitarras longos, a voz doce do vocalista, e os “lá-lá-lá” no fim.

Em meio a essa profusão de influências, ainda dá tempo para a banda pensar em algo meio louco, meio psicodélico nas faixas finais do disco, que é justamente onde o álbum perde um pouco de sua força. Por esse motivo, acredito que as faixas “Lazy Gun”, a balada “Timothy” e o Rock “Sgt. Major” (Essa uma versão bônus lançada no Reino Unido), apesar de não comprometerem, dá a aparência de estarem sobrando no álbum.

Assim, de um modo geral, o álbum é excelente. E o melhor disso tudo, é saber que este é somente o álbum de estréia, e que podemos aguardar ainda muito mais do Jet, pois com certeza eles têm muita coisa ainda a nos oferecer.

Resenha: Paulo Grossi [PG]

DOWNLOAD

Posted in Albuns, Resenhas | 2 Comments »

Wolfmother: A Banda Que Veio da Austrália

Posted by Paulo Grossi em julho 29, 2006

wolfmother-2006.jpg

Quem dizia que o hard rock morreu por não poder trazer mais nada de novo após os anos 80, está na hora de rever seus conceitos. O Wolfmother mostra que é possível fazer um som alternativo moderno, nos fazendo lembrar de bandas clássicas dos anos 70 como Black Sabbath e Led Zeppelin.

E falando em Black Sabbath, a voz do vocalista Andrew Stockdale lembra bastante a de Ozzy Osbourne, enquanto que o som nos remete a um White Stripes com muito mais influências setentistas. Curioso? Confira a música “Apple Tree”, que lembra bastante essas duas bandas, em uma só música!

As mudanças de batidas ao estilo hard rock clássico estão presentes em quase todas as faixas do álbum, nos fazendo esquecer um pouco as tendências atuais de fazer um som simples e garageiro. O Wolfmother, usando apenas guitarra, baixo e bateria (e poucos arranjos extras em algumas músicas), consegue variar até não poder mais… para então variar ainda mais!

As faixas “Where Eagles Have Been”, “Mind’s Eye” e “Tales” têm tantos altos e baixos, suavidade e peso, lentidão e agitação, que nos levam à pergunta: afinal, essas músicas são rocks ou baladas? Talvez seja melhor nem perder tempo pensando nisso, e assim se entregar de vez ao som.

Mas para os apreciadores de rock mais simples e garageiro, a banda traz as vibrantes “Woman”, “Joker & The Thief” e “Pyramid”, com suas batidas “blueseiras”, guitarras distorcidas e vocais “rasgados”.

E as concorrentes a melhor música do álbum são “Dimension”, “White Unicorn” (principal single do álbum até o momento) e “Love Train”, que estranhamente foi lançada nas versões americanas e inglesas do álbum, mas não na versão original australiana. E o ponto alto da referência ao som do Black Sabbath está na pesada e cadenciada “Colossal”, com direito a “trechinho acelerado” no maior estilo Led Zeppelin.

Nenhuma resenha poderá ser completa o suficiente para descrever os vários detalhes do álbum. Então fica a sugestão: ouça o álbum do Wolfmother o quanto antes, e testemunhe essa união perfeita entre rock alternativo, hard rock e sons psicodélicos. E acredite, a “indústria do hype” acertou em cheio com essa banda!

Resenha: Whiplash

Links para ouvir e baixar:
download

Posted in Albuns, Resenhas | 7 Comments »