Templo do Som

Bem Vindos ao Mundo da Música

Audioslave – Self-Titled [2002]

Posted by Paulo Grossi em agosto 22, 2006

audioslave-frontal.jpg

Há muito aguardado desde a fusão dos remanescentes do Rage a Chris Cornell, o album
Audioslave chegou as lojas em 2002, já fazendo alarde. A grande questão que se fazia na época do lançamento era: Que som sairá dessa fusão de estilos?

Muitos achavam que a banda era apenas uma jogada de marketing organizada pelos antigos integrantes do Rage juntamente com os empresários de Chris Cornell, e que essa fusão tendia certamente ao fracasso. Não dava mesmo para adivinhar se a banda teria um futuro próspero ou se seus integrantes irião se separar ali adiante. O futuro ainda era incerto. Mas o que era dúvida rapidamente se transformou em certeza. O som dos caras veio pra ficar, e não só isso, o nome Audioslave será lembrado sempre como uma das melhores bandas já reveladas nesse início de século.

O disco inicia extremamente impactante já na primeira música “Cochise”, que se revela o verdadeiro cartão de visitas do Audioslave. Nessa canção estão presentes todos os elementos que marcaram a banda: os riffs de guitarra magistrais – marca registrada de Tom Morello, juntamente a uma decarga emocional impressionante no vocal sempre poderoso de Chris Cornell. Além disso Cornell é um exímio letrista como deixa bem claro a passagem: “I’m not a martyr / I’m not a prophet / And I won’t preach to you”, um tapa na cara de todos aqueles que suspeitavam que o Audislave seria apenas mais uma banda sem nada a dizer.

“Cochise” é a música forte, a marca registrada da banda no primeiro disco. Por isso a
decepção dos integrantes quando estes souberam que essa e outras músicas vazaram
na internet, pois tinha-se o medo de que no lançamento oficial do disco ela não teria o mesmo impacto. Coisa que felizmente acabou não ocorrendo.

audioslave-002.jpg

O disco continua com as explosivas “Show Me How To Live” e “Gasoline”. A certinha “Show Me How To Live” é a mais balada das duas, com um riff marcante e muito bem executado por Morello. No finalzinho, uma surpresa: Chris Cornell termina a música berrando em alto estilo e estica ao máximo o grito até surgirem efeitos eletrônicos psicodélicos em sua voz, imitando uma cítara indiana!

Já em “Gasoline” é Tom Morello, reconhecível à quilômetros é que dá o tom (sem trocadilhos) da música. No refrão, há uma grande variação do riff aparentemente simples que gera um efeito final espetacular. A música é amparada pelo sempre potente vocal de Chris Cornell. A letra da música assim como a melodia trata da angústia e da vontade de se apagar algumas coisas da memória, por isso, nada melhor do que queima-las com Gasolina!

“What You Are” é uma canção mais carregada que a abusa da força da guitarra de Morello que é de fazer tremer os vidros das janelas, possui ainda um refrão que nã sai da cabeça facilmente.

“Like A Stone” é de longe a música mais famoso do disco. A música retrata de forma clara a simbiose existente entre os elementos da banda. Na parte do solo há uma perfeita sincronia entre o riff e o violão mostrando que uma banda de Rock pode se arrisca a fazer uma música mais pop sem comprome ter o andamento do restante do disco. Afinal de contas como dizia Keith Richards: “Você só pode ter uma boa banda de Rock se tiver conseguido fazer uma boa balada”.

Já “Set If Off” é o vai tomar no ** de Chris Cornell, clichê? Pode ser. Mas o que se destaca nessa faixa são os riffs de Tom Morello. A música fica mais palatável no seu segundo movimento quando ela retoma uma musicalidade mais rítmica e menos bombástica.

audioslave-006.jpg

“Shadow of the Sun” começa devagar e depois revela um refrão de arrepiar qualquer fã do
Soundgarden. É o momento que o Audioslave mais se aproxima da antiga banda de Cornell, valendo ressaltar as guitarras pesadas e o refrão bem característico. A música é muito bem estruturada e viajante, não é a toa que ela foi escolhida para embalar as aventuras de Tom Cruise e seu personagem malvado e sanguinário no filme Colateral. A Sombra do Sol como é traduzida a música mostra de forma excepcional a capacidade de Tom Morello para executar riffs psicodelicamente perfeitos, bem como de um baterista que só falta “cobrir a bateria de porrada” para que ela possa extrair mais som. O final da música termina com o mesmo vocal gritado de Cornell mostrando sua influência na construção do som da banda.

“I Am The Highway” já dá o tom da parte menos criativa do disco, sendo salva por um arranjo bem sacado da banda. Ainda assim, “I Am The Highway” se apresenta sem uma maior ousadia nos arranjos,é como aquela flor de plástico, de longe parece de verdade.

Na faixa seguinte, o Audioslave acorda e retoma o peso com “Exploder”, uma das músicas mais porrada do disco.  a música nos faz lembrar do rock contem porâneo com o vocal de Cornell nos fazendo lembrar de bandas como Korn por exemplo.

“Hypnotise” é o ponto de interseção da banda pois ela é bem diferente de tudo o que Rage Against The Machine ou Soundgarden já fizeram. Ela lembra, no bom sentido, do disco Pop Mars do U2 pois se baseia numa levada mais dançante que nos remete a sonoridade de bandas como Depeach Mode. Chris Cornell está mais contido, num tom mais grave, com harmonia no refrão, mostrando que o Audioslave consegue lidar e bem com os mais variados estilos músicais, porém sempre se prendendo ao bom e velho Rock and Roll.

audioslave_pic1.jpg

“Bring ‘Em Back Alive” é outro peso pesado do disco, um heavy metal, com vocal distorcido e refrão marcante, que leva consigo um efeito perturbador de psicodelia graças a sempre mágica guitarra de Tom Morello e bateria disconcertante de Brad Wilk.

Já a faixa “Light My Way” é a que mais se aproxima do antigo Rage Against The Machine, pois é o momento em que o Audioslave mais relembra a sonoridade caótica da banda, com a diferença de termos Chris Cornell no vocal. Uma curiosidade é que no meio da música temos um efeito eletrônico que nada mais é do que a música padrão para alguns celulares da empresa Motorola.

“Getaway Car” é mais uma baladinha ao estilo de “Like A Stone”, pois segue a mesma trilha. Arranjo elegante da banda e vocal melodioso de Cornell, em mais um competente desempenho nos vocais. A música fala de atitude e independência, como bem explica seu refrão que seria algo como “tenha seu próprio carro e o diriga sozinha”.

“The Last Remaining Light” encerra o disco de forma serena e tranquila pois é como o
Audioslave deveria ter se sentido ao ver o trabalho concluído. Com bastante tranquilidade
também é como se projeta o Audioslave no cenário do rock atual pois como se pôde perceber durante todo o disco é que o Audioslave veio não para ser só mais uma banda,de Rock mas sim para mostrar a todos os céticos de plantão que eles vieram pra ficar.

Resenha:
Paulo Grossi [PG]

DOWNLOAD

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

 
%d blogueiros gostam disto: